Nova
tecnologia na mineração de cobre reduz emissão de gases poluentes
Fonte: Site Agência Brasil ( http://www.agenciabrasil.gov.br )
( 20/02/2007 ) - 10:56
h
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), uma unidade de pesquisa
do Ministério da Ciência e Tecnologia, concluiu a primeira fase do projeto de
lixiviação bacteriana, colocando em funcionamento a primeira Unidade Semi-Piloto
de Biolixiviação computadorizada. O objetivo é reduzir a emissão de gases poluentes
durante a extração do concentrado de cobre, o que diminui, em conseqüência,
as emanações que contribuem para o efeito estufa na atmosfera.
Com isso, ganha também o cidadão, principalmente o que reside em áreas próximas
das minas, que pode respirar um ar mais limpo.
Segundo o coordenador do projeto, Luís Sobral, a unidade visa à utilização de
microorganismos, ou seja, organismos vivos que estão presentes no próprio minério,
“e fazer com que estes, de forma bioestimulada, acelerem o processo oxidativo
dos sulfetos de cobre, que são estruturas minerais contendo cobre”. A bactéria
abre essas estruturas para liberar o cobre de forma solúvel, de onde ele é recuperado
na forma de metal, explicou Sobral, em entrevista à Agência Brasil.
Ele informou que isso é feito convencionalmente por um processo pirometalúrgico,
em que a queima de sulfetos de cobre ocorre a temperaturas superiores a mil
graus centígrados. No processo pirometalúrgico, as peças mineralógicas de cobre
são transformadas diretamente em cobre metálico, também conhecido como cobre
blister. Esse material é impuro, porque o processo não é seletivo somente para
cobre, destacou Sobral. Por isso, é necessário que o material passe por um processo
denominado eletrorrefino, que consome muita energia, a exemplo do pirometalúrgico,
de transformação dos sulfetos em cobre metálico.
A meta do Cetem é substituir de forma gradual o processo pirometalúrgico pelo
bio-hidrometalúrgico, de lixiviação bacteriana. “O processo de biolixiviação
é menos poluente, evita as emanações do processo piro, causadas por metais como
arsênio, cádmio, chumbo, mercúrio, telúrio, selênio e bismuto, elementos voláteis
nessa temperatura”, destacou Sobral. Ele explicou que o processo piro necessita
de um sistema sofisticado de retenção dos metais para que não cheguem à atmosfera,
para que não poluam. Além de afetar o meio ambiente, tal processo implica elevado
consumo de energia.
Na biolixiviação, usam-se organismos vivos presentes no próprio minério. “É
só uma questão de bio-estimulá-los, de fazer com que eles funcionem de maneira
mais efetiva, com o uso de incentivos como fontes de carbono, nutrientes, nitrogênio,
fósforo e potássio. O que se faz é só estimular o crescimento dessas bactérias
e seu funcionamento. Aí, consegue-se extrair o cobre de maneira menos poluente.
Esses metais não vão para o meio ambiente e, com isso, tem-se cobre extraído
dos bens minerais, a um custo bem inferior ao do processo piro”, afirmou Sobral.
Em termos de investimento geral, ele estimou que o processo biológico desenvolvido
pelo Cetem é cerca de 60% mais barato do que o processo convencional. “Ele chega
a reduções de gastos de mais de 60%”, destacou Sobral. Ele enfatizou, entretanto,
que o grande ganho da nova tecnologia é o aspecto ambiental. “É o grande diferenciador.
Deve ser levada em consideração em primeira instância a eliminação do impacto
que o processo piro acarreta ao meio ambiente”.
O pesquisador lembrou o valor que o mercado externo dá à comercialização de
produtos que apresentem o que se chama de “pegadas do processo”. Segundo Sobral,
nesse caso, toda a malha produtiva é rastreada e avalia-se o impacto no meio
ambiente.
A empresa cuidadosa com sua malha produtiva, e que se preocupa em afetar cada
vez menos o meio ambiente, acaba recebendo incentivos na forma de sobrepreço,
disse Sobral. “Isso é bom porque, além do preço naturalmente praticado, tem-se
um bônus por não impactar o meio ambiente. Do ponto de vista econômico, a nova
tecnologia é satisfatória, mas é muito mais ainda quando agrega as características
de não contaminação”, afirmou.
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