Centro
pesquisará tratamento adequado aos rejeitos de carvão em Santa Catarina
Fonte: Site Agência Brasil ( http://www.agenciabrasil.gov.br )
( 13/10/2007 ) - 12:46
h
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), do Ministério da Ciência
e Tecnologia, em parceria com a Carbonífera Criciúma, de Santa Catarina, está
desenvolvendo um projeto para combater a drenagem ácida provocada por rejeitos
de carvão mineral, que há mais de um século polui a região sul do estado. O
projeto conta com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e está
orçado em R$ 1,2 milhão.
A parte principal do projeto, a Estação Experimental Juliano Peres Barbosa,
primeira unidade construída no Brasil com células experimentais e equipamento
meteorológico capaz de minimizar os efeitos na natureza da drenagem ácida, será
inaugurada na próxima quarta-feira (17), na Mina do Verdinho, no município de
Criciúma. A mina é propriedade da Carbonífera Criciúma, empresa líder do setor
de mineração de carvão no país.
Um dos coordenadores do projeto engenheiro metalúrgico Paulo Sérgio Soares,
informou que a estação tem como objetivo verificar a melhor maneira de reduzir
essa drenagem ácida, a partir da cobertura desses rejeitos de forma técnica
adequada. "Na verdade [vamos] prevenir a geração dessa drenagem. Isso é feito
cobrindo os rejeitos e evitando o contato deles com o ar e com a água da chuva",
esclarece.
Como a cobertura dos rejeitos do carvão pode ser efetuada de formas diferentes
e com graus de compactação diversos, utilizando mais de um material, como argila,
cinzas de fundo de termelétrica e solo orgânico, Paulo Sérgio Soares explicou
que a estação "vai buscar uma maneira de fazer essa cobertura, escolhendo os
melhores materiais e as melhores condições técnicas de aplicação dos materiais
disponíveis sobre os rejeitos do beneficiamento do carvão".
A meta do Cetem é substituir de forma gradual o processo pirometalúrgico pelo
bio-hidrometalúrgico, de lixiviação bacteriana. “O processo de biolixiviação
é menos poluente, evita as emanações do processo piro, causadas por metais como
arsênio, cádmio, chumbo, mercúrio, telúrio, selênio e bismuto, elementos voláteis
nessa temperatura”, destacou Sobral. Ele explicou que o processo piro necessita
de um sistema sofisticado de retenção dos metais para que não cheguem à atmosfera,
para que não poluam. Além de afetar o meio ambiente, tal processo implica elevado
consumo de energia.
A drenagem ácida de mina é um dos principais problemas ambientais relacionados
à mineração de carvão. Essa mistura de ácido e metais pesados tem caráter nocivo
e pode afetar os mananciais e depósitos de água subterrâneos, comprometendo
o meio ambiente.
Os resultados que forem obtidos pelos pesquisadores na estação experimental
poderão ser transferidos para outras mineradoras. O trabalho a ser desenvolvido
nessa unidade tem importância local, e ao mesmo tempo poderá capacitar os pesquisadores
a fazer um "modelamento" de sistemas semelhantes em outras regiões do país onde
esse problema da drenagem ácida possa existir, argumentou disse o engenheiro
do Cetem. Os primeiros resultados deverão ser obtidos no prazo de três anos.
Os rejeitos da mineração de carvão produzidos em 123 anos de exploração mineral
na região carbonífera catarinense ocupam uma área superior a 20 quilômetros
quadrados. Os efeitos da drenagem ácida poluiriam a água em 24 municípios de
Santa Catarina, que têm como atividade econômica importante a lavra e o beneficiamento
de carvão, prejudicando uma população estimada de 650 mil pessoas, de acordo
com informação da assessoria de imprensa do Cetem.
"De fato, você tem uma poluição das águas e com isso você prejudica as atividades
de abastecimento e de uso para lazer, por exemplo, desses rios, que ficam impactados
pela exposição inadequada de rejeitos", disse o pesquisador.
Paulo Soares explicou que o agravamento da questão, do ponto de vista ambiental,
ocorreu na década de 70, quando houve um aumento da mineração do carvão na região.
Atualmente, cerca de dez empresas atuam na área carbonífera no sul catarinense,
sendo que a maioria adota práticas "mais ambientalmente amigáveis".
Há também áreas inativas decorrentes da desativação de algumas companhias, cujos
rejeitos de carvão estão expostos ao ar e à água a céu aberto desde tempos passados.
O projeto global realizado em conjunto por técnicos do Cetem e da Carbonífera
Criciúma abrange também estudos de alternativas para tratamento de efluentes
dessas minerações, importação de sistemas de gestão ambiental, conhecimento
da dinâmica das águas subterrâneas na Mina do Verdinho para saber como elas
são atingidas pela poluição, entre outras atividades.
Paulo Sérgio Soares disse que o projeto pretende também estabelecer parceria
com as universidades do Sul do país para transformar a estação experimental
num centro de estudos de interesse geral, "que permita a pesquisadores de outras
instituições desenvolver seus trabalhos a partir dos dados que a gente colher".
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