Fábrica de argamassa usa tecnologia do INT e Cetem
Fonte: Site Agência C&T ( http://agenciact.mct.gov.br )
Tecnologia e desenvolvimento
( 12/06/2008 )

Argamassa será produzida com resíduos de pedra, que antes poluíam o meio ambiente


Equipamentos instalados em serrarias de Santo Antonio de Pádua (RJ) permitirão o aproveitamento de 1.800 toneladas/mês de resíduos de pedras ornamentais. Todo o material será usado na produção de 240 mil toneladas de argamassa por ano. Além do aproveitamento das sobras, os equipamentos garantem a reutilização de 95% da água usada no corte de pedras.

A tecnologia foi desenvolvida e patenteada por pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT) e do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem/MCT), e depois transferida para o grupo Mil, que inaugurou uma unidade de produção no interior do Rio de Janeiro.

A cerimônia de inauguração e de assinatura do contrato de transferência da tecnologia para empresa foi realizada ontem (11), em Santo Antonio de Pádua (RJ). Participaram do evento o vice-governador do Rio, Luiz Fernando "Pezão", o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Júlio Bueno, o subsecretário de Coordenação das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Fernando Schettino, e os diretores do INT, Domingos Manfredi Naveiro, e do Cetem, Adão Benvindo da Luz.

A nova empresa vai gerar 120 empregos diretos e indiretos na região, e ajudará na preservação do meio ambiente e na melhoria da qualidade de vida da população. O pólo de pedras decorativas emprega hoje cerca de oito mil funcionários, sendo seis mil trabalhadores apenas em Santo Antonio. Essa é a principal atividade econômica do Noroeste Fluminense.

Impacto ambiental

A tecnologia desenvolvida pelo INT e Cetem contribui para resolver um grave problema ambiental causado pelo pó fino, resultado da serragem das rochas ornamentais. O material que antes era descartado no solo e em cursos de água, passa a ser reutilizado.

Em seu estudo inicial, o INT identificou possíveis usos para o pó residual como matéria-prima de três produtos: cerâmica vermelha (telhas e tijolos), borracha (para uso não estrutural) e a argamassa. Paralelamente, o Cetem desenvolveu o processo de destilação dos resíduos, onde o pó fica retido em tanques, que também permitem a reutilização da água.

O projeto foi viabilizado pela Rede Cooperativa de Pesquisa e Uso de Bens Minerais destinados à Construção Civil (Retecmin), coordenada pelo Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro (DRM-RJ).

Com recursos da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), a Retecmin centraliza no Rio de Janeiro pesquisas envolvendo recursos minerais, com foco na solução das demandas da produção de rochas ornamentais na região noroeste do estado, especialmente em Santo Antônio de Pádua.

As negociações para a cessão e transferência da tecnologia foram realizadas com base na Lei de Inovação e reuniu a empresa - Argamil -, o INT e o Cetem, sendo conduzidas pelo Núcleo de Inovação Tecnológica do INT e pesquisadores das duas instituições. Será também a primeira vez que servidores de instituições de pesquisas receberão parte dos royalties de uma patente por sua invenção.

Um dos responsáveis pela patente da nova fábrica, o tecnologista José Carlos da Rocha, do INT, diz-se satisfeito com a conclusão desse processo de transferência tecnológica e já se mostra na expectativa do próximo projeto. Também desenvolvida no âmbito da Retecmim, uma nova patente viabilizada pelo pesquisador dá conta do uso dos resíduos de rochas para a produção de rochas artificiais. O projeto, que tem R$ 270 mil de apoio da Faperj, está em fase final de estudos de viabilidade técnico-econômica para implantação de uma nova fábrica, também em Santo Antônio de Pádua.

Com informações da Assessoria do governo do Rio de Janeiro

Assessoria de Comunicação do MCT
____________________________________________________________________________________________________