Cetem inova
na prevenção da intoxicação por peixe contaminado com mercúrio
Fonte: Site Jornal da Ciência ( http://www.jornaldaciencia.org.br/ )
( 23/09/2003 ) - 17:44 h
O controle da intoxicação por peixe contaminado por mercúrio terá pela primeira
vez no Brasil condições de ter uma ação preventiva e sistemática
Será possível porque o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), vinculado ao MCT,
desenvolveu e aprimorou um método de fácil operação, ao custo 10 vezes menor do
que o convencional e sensibilidade para determinar a concentração de mercúrio
em peixes segundo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), classificando
o pescado em próprio para consumo freqüente, eventual ou impróprio para consumo.
O peixe é a principal via de intoxicação do ser humano por mercúrio e pode causar
danos cerebrais, descontrole motor e levar à morte.
O método do Cetem pode ser aplicado por agentes comunitários treinados em regiões
distantes e afetadas pela poluição do mercúrio, como as de garimpo que respondem
por 80% da contaminação no país.
Devido ao custo do método usual, atualmente esse trabalho é feito de forma isolada
e pontual por alguns Centros de Pesquisa e Universidades.
O método
O método analítico mais usual para a determinação de mercúrio em amostras biológicas
é a técnica de vapor frio acoplada a um espectrômetro de absorção atômica.
Apesar de simples, necessita de técnicos qualificados e infra-estrutura não compatível
com a realidade da maioria das localidades onde o monitoramento contínuo do teor
de mercúrio nos peixes poderia garantir a sua qualidade e prevenir futuros desastres
ecológicos e de saúde pública.
No método do Cetem para a determinação de mercúrio em peixes, 10g de amostra são
solubilizadas com mistura ácido oxidante, seguida de adição de um reagente redutor
e aerada para expulsão do mercúrio formado.
O mercúrio é forçado a passar por um papel detetor recoberto com emulsão contendo
iodeto cuproso. A intensidade da cor do complexo formado é proporcional à concentração
de mercúrio na amostra original.
Ao final da determinação, o operador é capaz de classificar a amostra de acordo
com as recomendações da OMS por comparação com a cor desenvolvida por padrões
pré-determinados.
Minilaboratório
Esse trabalho pode ser desenvolvido em comunidades com infra-estrutura mínima
bastando ter luz elétrica e água corrente. A comunidade precisa instalar um minilaboratório
sob orientação do Cetem num espaço de oito metros quadrados, com duas bancadas
de trabalho (uma para parte seca do trabalho) e outra para o manuseio da parte
úmida e reservar uma pequena área sob exaustão (capela de laboratório) para permitir
o uso de ácidos corrosivos sem risco para o operador.
(Assessoria de Comunicação do Cetem)
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