Cetem desenvolve
método mais econômico de detectar contaminação de mercúrio
Fonte: Site Agência Brasil ( http://www.agenciabrasil.gov.br/ )
( 01/10/2003 ) - 18:40 h
Rio, 1/10/2003 (Agência Brasil - ABr) - Um método alternativo para medir a concentração
de mercúrio em peixes, desenvolvido por cientistas brasileiros, vem despertando
interesse em países que procuram uma opção de baixo custo para identificar essa
forma de contaminação. A técnica, que tem um custo dez vezes menor do que o convencional,
foi apresentada por um mês para 11 pesquisadores da cidade de Manado, capital
da província de Norte Sulawesi, na Indonésia, pelo Centro de Tecnologia Mineral
(Cetem), onde o trabalho foi desenvolvida pela pesquisadora Allegra Viviane Yalouz.
O peixe é a principal via de intoxicação do ser humano por mercúrio, substância
muito usado em regiões de garimpo que, só no Brasil, respondem por 80% da contaminação
que causa danos cerebrais, descontrole motor e pode levar à morte. A nova técnica
pode ser aplicada por agentes comunitários treinados, com apoio de centros de
pesquisa e Universidades.
Os pesquisadores da Cetem retornaram ao Brasil na 2ª feira (29) e já estão convidados
pela Unido, órgão da ONU, para apresentar o método na França. O Brasil integra
o projeto Mercúrio Global desenvolvido pela Unido que reúne, ainda, a Indonésia,
Tanzânia, Laos, Sudão, Zimbabuwe.
Antes, o método foi ensinado para cinco pessoas da comunidade de Itaituba, no
Pará, na Bacia do Rio Tapajós, onde há extração de ouro. A técnica consiste, segundo
o Cetem, “na na retirada de 10g de amostra de peixe que são solubilizadas com
mistura de ácido oxidante, seguida de adição de reagente redutor e aerada para
a expulsão do mercúrio formado. O metal é forçado a passar por um papel detetor
recoberto com emulsão contendo iodeto cuproso. A intensidade da cor do complexo
formado é proporcional à concentração de mercúrio na amostra original. Ao final
da determinação, o operador é capaz de classificar a amostra de acordo com as
recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), por comparação com a cor
desenvolvida por padrões internacionais.
Segundo Allegra Yallouz, esse trabalho pode ser desenvolvido em comunidades com
pouca infra-estrutura, bastando ter luz elétrica. Será preciso a instalação de
um mini-laboratório sob a orientação do Cetem, num espaço de 8 m². Também será
necessário reservar uma pequena área para permitir o uso de ácidos corrosivos
sem risco para o operador. O tema foi tese de doutorado da pesquisadora na Pontifícia
Universidade Católica (PUC), entre 1995/1997, e a técnica foi concluída por ela
no Cetem.
Norma Nery
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