Discriminação
contra mulheres mineradoras será discutida em conferência no Rio
Fonte: Site iG ( http://www.ig.com.br/ )
( 07/12/2005 ) - 16:56 h
Agencia Brasil
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio – Mulheres que trabalham na atividade mineral ainda não são consideradas mineradoras,
seja no Brasil ou em outros países – fazendo com que a remuneração delas seja
inferior à dos homens.
Essa questão será levada ao ciclo de conferências "A Questão de Gênero e Trabalho
Infantil na Mineração Artesanal Sul-Americana", que se inicia amanhã (8) no Rio
de Janeiro e vai até sexta-feira (9).
O Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), do Ministério da Ciência e Tecnologia,
vai apresentar um trabalho desenvolvido pela especialista Ângela Jorge, do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando que 10% das pessoas que
trabalham no setor mineral no Brasil são mulheres, o que representa cerca de 30
mil representantes do sexo feminino.
Desse contingente, cerca de 18% não são remuneradas, isto é, são consideradas
como pessoal de apoio, não vinculado diretamente à atividade da mineração. A coordenadora
do Cetem no Programa Sul-Americano de Apoio às Atividades de Cooperação em Ciência
e Tecnologia (Prosul), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq), Zuleica Castilhos, destaca que "essa não remuneração entre os homens é
em torno de 3%, um quadro em que, realmente, elas (as mulheres) trabalham, mas
não têm um reconhecimento da profissão".
Como exemplo, Castilhos cita os casos da Bolívia, onde as mulheres transportam
a água necessária à extração de ouro, e da Bahia, no Brasil, em que a força trabalhadora
feminina é usada em uma cooperativa para encontrar gemas e pedras. Em ambas as
situações não há o reconhecimento de que as mulheres desempenham uma atividade
mineradora – apenas de apoio.
Conforme nota do Cetem, a mineração artesanal sul-americana utiliza mão-de-obra
não-especializada de forma intensiva, em condições precárias de segurança e saúde.
O trabalho feminino e também o infantil, na maioria das vezes, não é considerado
uma atividade economicamente produtiva, mas como uma ajuda na atividade familiar,
ou, no caso das crianças, como um aprendizado.
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