Ministério da Ciência e Tecnologia

CETEM –  Centro de Tecnologia Mineral

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 


ROCHAS ORNAMENTAIS NO SÉCULO XXI

 

BASES PARA UMA POLÍTICA

DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO

DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

 

 

 

RT- 30/07

RELATÓRIO TÉCNICO SOBRE O DIAGNÓSTICO

DO SETOR DE ROCHAS ORNAMENTAIS DO BRASIL.

Executado em colaboração com a ABIROCHAS

 

 

 

ABRIL/2001

 


Índice

 

 

SUMÁRIO EXECUTIVO                                                                               6

 

1 – INTRODUÇÃO                                                                                        19

 

2 – MERCADO INTERNACIONAL                                                               26

 

3 – MERCADO NACIONAL                                                                         34

3.1 – Produção                                                                                              38

3.2 – Exportação                                                                                           40

3.3 – Importação                                                                                           51

3.4 – Consumo Interno Aparente                                                                  52

3.5 – Estágio Tecnológico e Competitividade                                               53

 

4 – PROGRAMA PARA AMPLIAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES                   56

4.1 – Objetivos                                                                                              56

4.2 – Diretrizes                                                                                              56

4.3 – Estratégias                                                                                           56

 

5 – PERSPECTIVAS DE EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES                   58

 

6 – PROJEÇÕES SETORIAIS DE DEMANDA                                            60

 

7   DESTAQUES COMPETITIVOS – CHINA E ÍNDIA                               81

 

8 – CONCLUSÕES                                                                                       99

 

9 – RECOMENDAÇÕES                                                                              107

 


LISTAGEM DE TABELAS

 

Número

Conteúdo

Página

Tabs. 1A e 1B

Produção Mundial de Rochas Ornamentais e de Revestimento:

Perfil Histórico segundo diferentes fontes de informação

20

Tab. 2

Valor Estimado das Transações Comerciais do Setor no Brasil – 2000

35

Tab. 3

Dados Gerais de Produção por Estado

36

Tab. 4

Produção  por Estados e Tipos de Rochas  - Base 2000 Estimada

39

Tab. 5

Relação de NCM´s utilizadas para Enquadramento

e Cálculo das Exportações Brasileiras de Rochas

40

Tab. 6

Evolução das Exportações Brasileiras de Rochas Ornamentais

e de Revestimento (1997-2000)

41

Tab. 7

Evolução Percentual das Exportações Brasileiras de Rochas Ornamentais e de Revestimento (US$ e 1000 t)

42

Tab. 8

Proposta de Reclassificação das NCM´s segundo Tipos de Rochas

e Principais Produtos

44

Tab. 9

Projeção de Incremento de 15% a.a. em Valor, até 2006* - US$ milhões

58

Tab. 10

Simulação de Incremento Anual de 10% em Peso das Exportações (com incremento anual de 5% de participação em peso de RP

no total exportado)

59

Tab. 11

Simulação de Incremento Anual de 10% em Peso das Exportações (com incremento anual de 10% de participação em peso de RP

no total exportado)

59

Tab. 12A a 16A

Projeções de Serragem de Chapas e Lajotas

61

Tab. 12B a 16B

Programa de Investimentos para Adequação do Parque Industrial

64

 

 

LISTAGEM DE FIGURAS

 

Número

Conteúdo

Página

Fig. 1A

Evolução do Consumo Mundial de Rochas e Cerâmica e da produção Italiana de Grés Porcelanato

22

Fig. 1B

Projeção de Consumo e Exportações Mundiais

23

Fig. 2

Etapas e Principais Produtos da Indústria de Rochas Ornamentais

25

Fig. 3

Maiores Exportadores Mundiais em Volume Físico – 1999

 

Fig. 4

Maiores Exportadores Mundiais de Rochas Silicáticas Brutas

(posição 68.02) – 1999

27

Fig. 5

Maiores Exportadores Mundiais de Rochas Processadas Especiais

(posição 68.02) – 1999

27

Fig. 6

Maiores Importadores Mundiais de Rochas Silicáticas Brutas

(posição 25.16) – 1999

28

Fig. 7

Maiores Importadores Mundiais de Rochas Processadas Especiais

(posição 68.02) – 1999

29

Fig. 8

Maiores Importadores Mundiais em Volume Físico – 1999

29

Fig. 9

Evolução das Exportações Mundiais – 1994-1999

30

 


LISTAGEM DE FIGURAS (continuação)

 

Número

Conteúdo

Página

Fig. 10

Participação Relativa no Mercado Internacional de Rochas Processadas Especiais

30

Fig. 11

Principais Fluxos Comerciais de Rochas Processadas Especiais

(posição 68.02) – 1999

31

Fig. 12

Principais Fluxos Comerciais de Rochas Silicáticas Brutas

(posição 25.16) – 1999

32

Fig. 13

Exportações do Brasil, China, Índia e Itália em 1999

33

Fig. 14

Principais Destinos das Exportações Brasileiras

43

Fig. 15A

Evolução das Exportações Brasileiras (RSB, RCB, RP) – US$ mil

45

Fig. 15B

Evolução das Exportações Brasileiras (RSB, RCB, RP) – tonelada

45

Fig. 16A

Evolução das Exportações Brasileiras

Participação Percentual no Faturamento (RSB, RCB, RP)

46

Fig. 16B

Evolução das Exportações Brasileiras – Participação Percentual em Peso

46

Fig. 17A

Evolução das Exportações Brasileiras de Quartzitos Foliados,

Ardósias e Serpentinito/Pedra Sabão – US$ mil

47

Fig. 17B

Evolução das Exportações Brasileiras de Quartzitos Foliados,

Ardósias e Serpentinito/Pedra Sabão – toneladas

47

Fig. 18

Principais Estados Exportadores de Rochas Ornamentais

e de Revestimento  -  Ano 2000

48

Fig. 19A

Evolução das Exportações dos Estados do Espírito Santo,

Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro – US$ milhão

49

Fig. 19B

Evolução das Exportações dos Estados do Espírito Santo,

Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro – toneladas

49

Fig. 20

Evolução das Exportações de Rochas Silicáticas dos Estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – US$ milhão

50

Fig. 21

Evolução das Exportações de Ardósias e Quartzitos Foliados

de Minas Gerais – US$ milhão

51

Fig. 22A

Evolução das Importações Brasileiras de Rochas Ornamentais – US$ milhão

52

Fig. 22B

Evolução das Importações Brasileira de Rochas Ornamentais – toneladas

52

Fig. 23

Produção Bruta de Pedra Natural

82

Fig. 24

Exportações de Granito

84

Fig. 25

Localização do Rajasthan

89

Fig. 26

Depósitos do Rajasthan

90

Fig. 27

Produção Bruta de Pedra Natural

92

Fig. 28

Participação nas exportações Globais de Granito

95

Fig. 29

Evolução das Exportações de Granito

96


Apresentação

 

 

O presente estudo é um Diagnóstico do Setor de Rochas Ornamentais do Brasil, tendo como objetivo principal sugerir ações para o desenvolvimento planejado das suas exportações.

 

Em sua primeira parte é apresentado um panorama do setor no país e no mundo, com ênfase aos aspectos de mercado, concorrência e tecnologia, que determinam o desempenho exportador do produto brasileiro.

 

Na segunda parte são apresentadas possíveis projeções de crescimento da produção e exportação com as respectivas necessidades de investimento, além de um conjunto de propostas de ações e medidas julgadas importantes para que as melhores projeções se tornem realidades.

 

O grupo de trabalho responsável por este documento, sob a coordenação do Centro de Tecnologia Mineral, CETEM/MCT, procurou incorporar a visão do empresariado do setor, representado pela ABIROCHAS e contou ainda com a participação dos consultores especializados da empresas de consultoria; Kistemann & Chiodi, Condet e Bamburra; bem como da contribuição da SECEX/MDCIT, da SMM/MME e da CBPM do governo da Bahia.


Grupo de trabalho

 

 

Coordenação              Eng. Carlos Cesar Peiter, DSc.

 

Equipe do CETEM     Eng. Adriano Caranassios, DSc.

                                   Eng. Francisco W. Hollanda Vidal, DSc.

                                   Eng. Gildo Sá Cavalcanti de Albuquerque, DSc.

                                   Econ. Gilson E. Ferreira, DSc.

 

Consultores                Cid Chiodi Filho

                                   Condet Consultoria de Empreendimentos Ltda.

                                   Bamburra Consultoria Ltda.

 

Apoio                          Regina Martins

Paulo Roberto Santos

Vera Lúcia do Espírito Santo

 

Colaboradores            Presidência e Conselho da ABIROCHAS;

                                   SECEX/MDICT na pessoa de Cibele Fonseca;

                                   MME, através da SMM na pessoa do Geol. Walter Arcoverde;

CBPM do Estado da Bahia, na pessoa da Econ. Ana Cristina Magalhães.

 

 

Destacamos ainda a colaboração dos Diretores de diversas empresas visitadas, bem como de órgãos como CPRM, DNPM e Universidades, na revisão e sugestões ao trabalho.

 


SUMÁRIO EXECUTIVO

 

 

Cenário Mundial

 

A produção mundial noticiada de rochas ornamentais e de revestimento é de aproximadamente 55 milhões de toneladas/ano, tendo evoluído de um patamar de apenas 1,5 milhões de toneladas/ano na década de 20. Estima-se que os negócios do setor movimentem pelo menos US$ 30 bilhões/ano, colocando-se 20,8 milhões de toneladas em rochas brutas e processadas no mercado internacional.

 

 

Produção Mundial de Rochas Ornamentais e de Revestimento: Perfil Histórico

 

Mármores

Granitos

Ardósias

Total

 

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

%

1.000 t

1926

1.175

65,6

175

9,8

440

24,6

1.790

1976

13.600

76,4

3.400

19,1

800

4,5

17.800

1986

13.130

60,5

7.385

34,0

1.195

5,5

21.710

1996

26.450

56,9

17.625

37,9

2.425

5,2

46.500

1997

27.650

55,8

19.350

39,1

2.500

5,1

49.500

1998

29.400

57,6

19.000

37,3

2.600

5,1

51.000

1999

31.300

57,4

20.350

37,3

2.850

5,3

54.500

 

Fonte: MONTANI, Carlo. STONE 2000; Repertorio Economico Mondiale.

 

 

Fonte: MONTANI, Carlo. STONE 2000; Repertorio Economico Mondiale.


Cerca de 70% da produção mundial é transformada em chapas e ladrilhos para revestimentos, 15% é desdobrada em peças para arte funerária, 10% para obras estruturais e 5% para outros campos de aplicações. O consumo de rochas é estimado em 600 milhões de m2/ano, sendo os produtos cerâmicos,  com um consumo de 3,8 bilhões de m2/ano, seus principais concorrentes na construção civil.

 

As projeções de consumo/produção e exportações mundiais indicam a manutenção da tendência de crescimento do mercado internacional. Por exemplo, para 2025, projeta-se a quintuplicação do consumo mundial e transações internacionais de 2,1 bilhões de m2 equivalentes/ano.

 

 

Caracterização Comercial

 

Do ponto de vista comercial, as rochas ornamentais e de revestimento são basicamente classificadas em granitos e mármores, que perfazem cerca de 90% da produção mundial. Ardósias, quartzitos, pedra sabão, serpentinitos, basaltos, conglomerados naturais, também se destacam setorialmente.

 

A média dos preços internacionais para blocos de mármores e granitos, situa-se entre US$ 400 e 1.200/m3, enquanto que o preço  médio do material beneficiado varia de US$ 30 a 60/m2. O padrão cromático é o principal atributo considerado para qualificação comercial de uma rocha.

 

Como materiais dimensionais, portanto aproveitados em volume, as rochas ornamentais e de revestimento têm valor comercial muito significativo frente a outras matérias primas minerais. O quadro comparativo do seu valor em peso relativamente aos minérios de ferro e ouro, que constituem commodities minerais bastante conhecidos e importantes na pauta brasileira de produção e exportação, é apresentado abaixo e permite ilustrar a questão:

 

Ferro (1)

Ouro (2)

Rochas Ornamentais (3)

US$ 22/tonelada

US$ 93/tonelada

US$ 185/tonelada

1.       Valor base do minério US$ 22/t.

2.       Valor base de US$ 9,3/g, em minério com teor de 10 g/t.

3.       Valor médio de US$ 500/m3 no mercado internacional, atribuindo-se densidade de 2,7 t/m3.

 

Observando-se a média de preços das rochas ornamentais e de revestimento nos mercados interno e externo, refere-se que o índice de agregação de valor na venda de blocos é equivalente a três vezes o seu custo de produção. Cada metro cúbico de rocha desdobra de 32 a 35 m2 de chapas, permitindo gerar cerca de R$ 3.200 em produtos acabados no mercado interno, ou US$ 3,000 no mercado externo.

 

 

Destaques do Mercado Internacional

 

Mundialmente, a Itália é um dos principais “players” do setor, colocando-se entre os maiores produtores, como maior importadora de material bruto, maior consumidora per capita e maior exportadora de rochas e tecnologia, tendo sido responsável em 1999 por 32,9% em peso das transações de produtos beneficiados e 46% em peso das transações de máquinas e equipamentos, no mercado internacional.

 

Os EUA, seguidos do Japão, são por sua vez os principais importadores de produtos acabados, tendo respondido por 32,6% em peso das transações mundiais em 1999. A China é a maior importadora de máquinas e equipamentos, tendo absorvido quase 10% em peso do total comercializado no mercado internacional em 1999.

 

Dentre os doze principais países produtores, oito pertencem ao grupo dos principais consumidores e nove ao dos principais exportadores de rochas processadas, atestando a forte ligação entre mercado interno, produção e volume de negócios. A Itália, Espanha, Japão, Alemanha, EUA e França foram responsáveis por 40% do consumo mundial noticiado em 1999.

 

A participação brasileira no mercado internacional de rochas processadas é ainda limitada e está bastante aquém da posição da China e Índia, nossos principais concorrentes. Observou-se uma queda acentuada de participação da Itália com o comércio de rochas processadas, sobretudo devido ao crescimento da Índia e particularmente da China no mercado asiático, ao longo da década de 90.

 

Fonte: MONTANI, Carlo. STONE 2000; Repertorio Economico Mondiale.

 

Fonte: SEA, 1999 e Stone, 2000.

 

A Itália ainda se destaca no entanto como origem da maior parte dos principais fluxos comerciais de rochas processadas. A China respondeu, com o Japão, pelo maior fluxo comercial de rochas processadas, em peso, do ano de 1999. O principal fluxo comercial brasileiro de rochas processadas é mantido com os EUA e situou-se na 15a. posição do ranking mundial em 1999.

 

 


Situação Brasileira

 

·        Quadro Setorial

 

O quadro setorial brasileiro pode ser ilustrado pela produção de 500 variedades comerciais de rochas, entre granitos, mármores, ardósias, quartzitos, travertinos, pedra sabão, basaltos, serpentinitos, conglomerados, pedra talco e materiais do tipo pedra Miracema, pedra Cariri e pedra Morisca, derivadas de quase 1.300 frentes de lavra. Os granitos perfazem cerca de 60% da produção brasileira, enquanto 20% são relativos a mármores e travertinos e quase 8% a ardósias.

 

 

Quadro 2 -  Valor Estimado das Transações Comerciais do Setor no Brasil – 2000

 

R$ milhões

US$ milhões

Exportações

502,27

271,54

Importações

40,57

21,93

Mercado Interno

3.285,00

1.775,67

Máquinas, Insumos e Serviços

100,00

54,05

Total

3.927,84

2.123,19

( Base US$ 1,00 = R$ 1,85)

 

 

O setor brasileiro de rochas ornamentais movimenta cerca de US$ 2,1 bilhões/ano,  incluindo-se a comercialização nos mercados interno e externo e as transações com máquinas, equipamentos, insumos, materiais de consumo e serviços, gerando cerca de 105 mil empregos diretos em aproximadamente 10.000 empresas. O mercado interno é responsável por 80% das transações comerciais e as marmorarias representam 65% do universo das empresas do setor.

 

O desdobramento dos blocos de rochas ornamentais no Brasil se dá principalmente através da utilização de teares. O parque de beneficiamento opera com quase 1.600 teares, e tem capacidade de serragem estimada em 40 milhões de m2/ano.

 

Fonte: MONTANI, Carlo. STONE 2000; Repertorio Economico Mondiale.

 

·        Produção

 

A produção brasileira de rochas totaliza 5,2 milhões de toneladas/ano. Os estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia respondem por 80% da produção nacional. O estado do Espírito Santo é o principal produtor, com 47% do total brasileiro. O estado de Minas Gerais é o segundo maior produtor e responde pela maior diversidade de rochas extraídas.

 

 

Quadro de Produção de Rochas no Brasil - 2000

Tipo de Rocha

Quantidade (t)

Participação (%)

Granitos

2.964.280

57,2

Mármores

959.800

18,5

Ardósias

407.000

7,8

Quartzitos Foliados

281.000

5,4

Pedra Miracema

182.000

3,5

Quartzitos Maciços

63.700

1,2

Pedra Cariri

60.000

1,1

Arenitos

49.000

0,9

Basaltos

39.120

0,7

Pedra Sabão / Serpentinito

38.500

0,7

Pedra Morisca

3.600

0,07

Outras

137.600

2,6

Total

5.185.600

100

·        Exportações

 

Considerando-se as 26 NCM’s discriminadas no presente trabalho, para enquadramento das rochas ornamentais e de revestimento, as exportações brasileiras de 2000 atingiram US$ 271,54 milhões e 1,1 milhão de toneladas, com variação positiva de respectivamente 16,8% e 12% em relação a 1999. A falta de especificidade das NCM´s utilizadas pelo setor deixa dúvidas quanto à verdadeira natureza do material considerado, impondo dificuldades para cálculos quantitativos e avaliações qualitativas das exportações brasileiras.

 

Relação de NCM’s Utilizadas para Enquadramento das Exportações

 

TIPOLOGIA

NCM

DENOMINAÇÃO

 

 

 

 

 

 

ROCHAS PROCESSADAS

(RP)

6802.10.00

6802.21.00

6802.22.00

6802.23.00

6802.29.00

6802.92.00

6802.99.10

6802.99.90

6803.00.00

6801.00.00

2514.00.00

2526.10.00

6815.99.90

Ladrilhos de pedra natural/serrada superficialmente

Chapas de mármores e travertinos

Pedras calcárias talhadas

Granito talhado ou serrado

Pedras de cantaria

Pedras calcárias trabalhadas

Esferas p/ moinho de outras pedras de cantaria

Pedras de cantaria, trabalhadas

Ardósia natural, trabalhada

Pedra p/ calcetar meio-fio e placa p/ pavimentação

Ardósias incluindo desbastadas

Esteatita natural, não triturada nem em pó

Obras de pedras ou de outros materiais

 

 

 

ROCHAS SILICÁTICAS EM BRUTO

(RSB)

2506.21.00

6802.93.10

6802.93.90

2516.12.00

2516.11.00

2516.21.00

2516.22.00

2516.90.00

Quartzitos em bruto ou desbastados

Esferas para moinho, de granito

Granitos trabalhados

Granito cortado em blocos ou placas

Granito em bruto ou desbastado

Arenito em bruto ou desbastado

Arenito cortado em blocos ou placas

Pedras de cantaria ou de construção

 

ROCHAS CARBONÁTICAS EM BRUTO

(RCB)

6802.91.00

2515.11.00

2515.12.10

2515.20.00

2515.12.20

Mármore, travertinos, etc.

Travertinos em bruto ou desbastados

Mármores cortados em blocos ou placas

Granitos belgas

Travertinos cortados em blocos ou placas

 

As rochas processadas representaram 25,3% em peso e 56,5% em valor dessas exportações em 2000, evidenciando os maiores índices de crescimento em relação a 1999. No ano de 1999, cerca de 71% das exportações de rochas processadas, em valor, foram destinadas aos EUA, enquanto que para a Itália foram remetidos 40% em peso das exportações de rochas brutas, caracterizando uma concentração muito elevada de vendas para esses dois mercados.

 

Destaca-se um aumento contínuo das exportações brasileiras durante toda a década de 90. A barreira dos US$ 100 milhões foi ultrapassada em 1993 e a dos US$ 200 milhões atingida em 1997. A tendência registrada a partir de 1996, mostra recuo das exportações de rochas silicáticas em bruto e pequena expressão das rochas carbonáticas em bruto.

 

No ano de 1999, o Brasil teve participação de 0,3% nas exportações mundiais de rochas carbonáticas brutas (posição 25.15), de 9,9% nas de rochas silicáticas brutas (posição 25.16), de 1,3% nas de rochas processadas simples (posição 68.01), de 1,4%  nas de rochas processadas especiais (posição 68.02) e 5,6% nas de ardósias (posição 68.03), compondo 4,9% do volume físico do intercâmbio mundial.

 

Esse desempenho posicionou o Brasil como sexto maior exportador mundial de rochas em volume físico, atrás da Itália, China, Índia, Espanha e Portugal e à frente da África do Sul, Turquia, Coréia do Sul, Grécia, Finlândia e Alemanha. Quanto às exportações de granitos brutos, o Brasil colocou-se em quarto lugar com 9,9%, atrás da Índia (18,2%), África do Sul (11,7%) e China (10,4%), situando-se em 12o lugar das exportações mundiais de rochas processadas.

 

Observou-se expressivo crescimento das exportações brasileiras de ardósias e quartzitos foliados, bem como a participação de pedra sabão e serpentinitos nas exportações. Tais materiais, caracterizados pela produção e beneficiamento regionalizados, já representaram 13,6% em valor e 10,4% em peso das exportações brasileiras de rochas no ano 2000.

 

 

 

As exportações do Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia, que são os principais estados produtores, totalizaram cerca de US$ 210 milhões em 2000. O Espírito Santo consolidou sua posição de principal produtor e exportador, respondendo no ano de 2000 por 44%, em peso e valor, do total das exportações brasileiras. O Rio de Janeiro teve um dos mais expressivos crescimentos de exportação de rochas processadas.

 

 

 

São declinantes desde 1998, em peso e valor, as exportações totais e sobretudo de rochas graníticas de Minas Gerais, que têm seus negócios centrados na venda de blocos para grandes compradores italianos. Esta queda foi atenuada pelo expressivo crescimento das ardósias e quartzitos foliados, que em 2000 já representaram 47,9% em valor das exportações mineiras de rochas.

 

Situação menos aguda, porém semelhante, é observada para a Bahia, cujas exportações foram ultrapassadas pelo Rio de Janeiro em 2000. A questão da agregação de valor dos produtos beneficiados pode ser aqui exemplificada, pois em peso o Rio de Janeiro exportou 32% do total da Bahia, enquanto em valor as exportações cariocas foram 5% maiores que as baianas.

 


Principais Estados Exportadores

de Rochas Ornamentais e de Revestimento – Ano 2000

 

 

Minas Gerais

Espírito Santo

Bahia

Rio de Janeiro

NBM/NCM

US$ mil

Ton

US$ mil

Ton

US$ mil

Ton

US$ mil

Ton

2506.21.00

393,46

782,03

211,00

273,77

3.620,60

6.892,73

 

 

2515.11.00

 

 

10,85

88,51

7,14

73,57

11,27

120,42

2515.12.10

48,73

316,16

182,98

1.108,79

1,24

36,56

 

 

2515.12.20

 

 

 

 

 

 

 

 

2515.20.00

 

 

 

 

 

 

 

 

2516.11.00

25,04

1.519,02

290,16

1.767,42

12.223,30

85.178,30

379,10

3.181,06

2516.12.00

10.801,74

83.693,96

13.537,83

115.379,47

2.074,80

16.398,37

381,72

1.165,87

2516.21.00

 

 

 

 

 

 

 

 

2516.22.00

 

 

 

 

 

 

 

 

2516.90.00

42,05

243,26

 

 

 

 

 

 

6801.00.00

8.313,73

35.417,61

 

 

 

 

114,60

509,15

6802.10.00

43,46

55,66

90,82

120,25

 

 

22,89

17,86

6802.21.00

 

 

157,74

328,76

4,23

12,00

16,87

61,99

6802.22.00

2,13

3,54

 

 

 

 

 

 

6802.23.00

1.132,12

1.870,14

61.061,80

89.503,30

2.278,92

2.512,29

19.959,89

26.671,46

6802.29.00

2.795,80

5.572,42

 

 

11,14

26,40

 

 

6802.91.00

69,09

289,34

827,50

4.252,62

56,31

838,30

82,12

298,70

6802.92.00

 

 

 

 

 

 

 

 

6802.93.10

 

 

 

 

 

 

 

 

6802.93.90

22.682,76

151.455,75

39.646,75

274.800,25

641,34

2.978,12

612,71

4.146,33

6802.99.10

 

 

 

 

 

 

 

 

6802.99.90

453,33

1.385,85

0,19

0,02

 

 

0,91

25,20

6803.00.00

24.684,74

66.287,04

33,40

55,86

2,25

14,15

93,56

332,91

2514.00.00

1.796,90

3.419,32

4,00

22,00

 

 

52,38

426,93

2526.10.00

126,32

488,51

 

 

 

 

 

 

6815.99.90

11,83

6,90

 

 

0,65

0,30

308,83

104,77

TOTAL

73.423,23

352.806,51

116.055,02

487.701,02

20.921,92

114.961,09

22.036,85

36.957,88

Variação %

-2,5%

-9,23%

+37,1%

+36,7%

+9,5%

+2,4%

+30,3%

+52,5%

Fonte: SECEX/DECEX

 

O melhor desempenho do Espírito Santo e do Rio de Janeiro com exportação de rochas graníticas processadas, bem como de Minas Gerais com ardósias e quartzitos foliados, está lastreado na existência de parques industriais de beneficiamento e em uma base de competitividade firmada para produtos acabados/semi-acabados no mercado interno. Tais atributos acabaram por viabilizar até o incremento das exportações de blocos de granito, agora não controladas por grandes contratos de exclusividade, pelo estado do Espírito Santo.

 

 

·        Importações

 

No ano 2000, as importações brasileiras totalizaram US$ 21,9 milhões e registraram queda de 10,0% em relação a 1999, invertendo-se uma tendência forte de incremento ao longo de toda a década de 1990. A grande maioria das importações refere-se a chapas de mármores e travertinos, sobretudo provenientes da Itália, Espanha e Grécia.

 

 

O crescimento da importação na década de 1990 foi decorrente da queda das alíquotas do imposto de importação, suprindo uma deficiência de atendimento para o mercado imobiliário de alto padrão. As quedas registradas em 1999 e 2000 foram decorrentes da desvalorização cambial promovida no início do ano de 1999.

 

 

·        Consumo Interno

 

O consumo interno aparente de blocos de mármore e granito, segundo dados oficiais do Sumário Mineral Brasileiro, foi de 1,67 milhões de toneladas no ano de 1999, com crescimento 19,7% em relação a 1998. Esses valores de 1999 seriam equivalentes a 18,3 milhões de m2/ano e corresponderiam a 3,5% do consumo mundial de chapas, traduzindo um consumo per capita de 7 a 8 kg/ano de mármores e granitos. Se for no entanto considerada a produção real de blocos de mármore e granito estimada neste trabalho, bem como a das demais variedades de rochas exploradas no Brasil, o consumo interno atinge cerca de 50 milhões m2/ano, equivalentes a 25 kg per capita.

 

 

Conclusões

 

Projetando-se um crescimento anual de 15% em valor para as exportações brasileiras, compatível à taxa média dos últimos 3 anos e portanto factível para os próximos 3 anos, será atingido um patamar de US$ 355 milhões em 2002 e de US$ 618 milhões em 2006. No ano 2000, as exportações brasileiras sofreram um incremento de 12% em peso e de 5,9% na participação percentual em peso de rochas processadas no total exportado, traduzindo o referido crescimento de 16,8% em valor sobre 1999.

 

Com base em uma simulação compatível à performance do ano 2000, que admite incremento de 10% ao ano em peso das exportações, além de incremento de 5% ao ano de participação percentual em peso de rochas processadas no total exportado, as exportações brasileiras atingiriam faturamento de US$ 750 milhões no ano de 2006; isto representaria a duplicação em peso e a triplicação em valor das exportações brasileiras. Se for admitido incremento de 10% ao ano de participação percentual em peso de rochas processadas no total exportado, teríamos a mesma duplicação em peso porém quadruplicação em valor das exportações, atingindo-se US$ 1 bilhão no ano de 2006.

 

Estudos recentes do Banco Mundial mostram que a cada US$ bilhão exportado gera-se de 50 mil a 70 mil empregos. Considerando-se a projeção de 15% de incremento anual das exportações do setor de rochas, pode-se assim estimar a geração de no mínimo 17,5 mil a 24,5 mil empregos até o ano 2006. Segundo outras simulações, que prevêem crescimento mais acentuado e possível de participação de rochas processadas nas exportações, o setor poderá gerar até 54,1 mil empregos no mesmo período.

 

A partir de simulações de demanda para o parque industrial, elaboradas através das projeções de exportação e consumo no mercado interno, vislumbra-se a necessidade de agregação de no mínimo 560 novos teares, 190 novas politrizes e 50 novos talha-blocos, até o ano 2006. O atendimento das demandas necessárias para atualização do parque industrial, prevê investimentos de no mínimo US$ 1 bilhão até 2015. A indústria de bens de capital, instalada no Brasil, não tem capacidade de atendimento da demanda projetada.

 

Objetivando-se o atendimento da demanda projetada de serragem para 2015, será necessário atingir uma produção primária de blocos da ordem de 14 milhões t/ano, o que representa um incremento de 3,5 vezes a atual produção. Considerando-se um universo estabilizado de 1.000 pedreiras ativas no Brasil, seriam necessários investimentos de conversão da atual produção primária média de 150 m3/mês por pedreira, para cerca de 500 m3/mês, o que representa investimentos em bens de capital de cerca de US$ 350 mil por pedreira até 2015, totalizando-se US$ 350 milhões.

 

O parque industrial brasileiro de beneficiamento encontra-se tecnologicamente defasado, sobretudo pela antigüidade das máquinas e equipamentos em operação. A modernização desse parque industrial poderá ser viabilizada tanto através da adequação/automação das máquinas e equipamentos já instalados e com até 10 anos de uso, quanto sobretudo através da aquisição de bens de capital nacionais e importados tecnologicamente atualizados.

 

Deve-se mencionar que a maior parte dos teares em operação no Brasil tem mais de 10 anos de atividade e não incorporaram equipamentos periféricos que otimizariam sua produtividade. Pode-se neste sentido destacar a importância de acoplamento de dosadores de cal, recuperadores de granalha, ajustadores automáticos de biela, tensionadores hidráulicos de lâmina e controles automáticos de cala.

 

O fortalecimento do mercado interno, considerado básico para o desenvolvimento das exportações de produtos acabados e serviços, exige investimentos para modernização das marmorarias, destacando-se que, exceção feita às fresa-pontes, inexiste produção brasileira de máquinas para acabamento.

 

 

Recomendações

 

A curto prazo, tendo em vista maior competitividade frente a China e Índia no mercado internacional, enfatiza-se a necessidade de aquisição de bens de capital específicos, importados sem barreiras tarifárias, para a modernização do parque industrial brasileiro de serragem e polimento. Reitera-se a necessidade de adequação das linhas de crédito e uma ampla reformulação das bases tributárias, pois o setor de rochas ornamentais e de revestimento é constituído por pequenas e médias empresas, atualmente alijadas dos recursos disponíveis e com sua competitividade prejudicada pelos impostos e taxas vigentes.

 

A curto e médio prazos aponta-se como relevantes: a modernização das marmorarias, como base para o fortalecimento do mercado interno e exportação de produtos acabados e serviços; a capacitação tecnológica da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, visando sua adequação qualitativa e quantitativa de atendimento dos mercados interno e externo; e, a qualificação dos insumos e materiais de consumo do beneficiamento, para otimização da serragem e polimento de chapas e lajotas.

 

A médio e longo prazos aponta-se a necessidade de utilização de teares, politrizes e talha-blocos mais produtivos que os atuais, para adequação do parque industrial brasileiro e atendimento da demanda projetada nos mercados interno e externo. As projeções de incremento de material serrado e o número crescente de teares e talha-blocos necessário para tal, leva a concluir pela necessidade de modificação do atual perfil tecnológico de máquinas e equipamentos.

 

Uma das questões de maior interesse para o desenvolvimento do setor diz respeito à articulação dos arranjos regionais de negócios mínero-industriais (clusters), através da caracterização do perfil do mercado consumidor, da formulação de bases para criação de cooperativas de produtores/beneficiadores, da montagem de consórcios de exportação, da composição de centrais de matérias primas e centrais de beneficiamento e, da capacitação de centros de pesquisa para estudos de aproveitamento industrial de resíduos, caracterização tecnológica e diversificação de produtos comerciais, certificação de origem das rochas e aprimoramento de insumos.

 

Conclui-se destacando não ser possível dissociar o desenvolvimento do setor, da capacitação tecnológica da indústria brasileira de máquinas, equipamentos e insumos, para lavra, beneficiamento e acabamento de rochas. Destaca-se ainda que o incremento consistente das exportações de rochas processadas e serviços será, em grande medida, decorrência do fortalecimento setorial no mercado interno. Não se vislumbra uma perspectiva concreta de atendimento ou ampliação das metas de exportação projetadas, a partir das condições vigentes para o setor no Brasil.